terça-feira, 1 de agosto de 2017

Sem teto mas com lar

Eu me sinto bem comigo mesma, mas nao sei me portar.

Apesar dos momentos bons, eu ainda devo reconhecer quem eu realmente sou: um desastre. E o meu furacao nao é daqueles que misturam as folhas secas do chao.
Eu arranco
Arvores
E destruo
Lares

Mas eu nao posso destruir a casa dele. Todo melodrama que corre em minhas veias nao pode escapar pelos poros de meu rosto.
Ele me olha enquanto durmo, e me tenta com desejo todas as noites. Eu me deitei em sua cama e os lençois me abraçaram, assim como ele me abraça: a estranheza repetina do toque quente que faz derreter, depois o reconhecimento com ardor. Eu estava ali, com ele, e todo os lugar que fossemos seriam nossos lençois. Ele sabia trilhar meus caminhos, e aos poucos eu abria as porteiras. Porteiras estas, com fechaduras enferrujadas, intocadas porem gastas de tanto vento e maresia.
Eu nao posso derreter essa pele que me toca, esses olhos que me comem e esse coraçao que me fez moradia.
Porque, alem de todos os porques, eu o deixei entrar tambem.