terça-feira, 1 de agosto de 2017

Coisas

Alguma musica tocava no fundo, mas o ritmo vinha de nossas respiraçoes.

Certos complexos somem no frenesi das maos, pernas e linguas. Ele nao sabe, mas tenho vergonha de mim mesma. Mas eu esqueço, pois ali nao estou apenas por corpo, estou por alma.
Alma esta que enlaça a dele, e inventamos nossa dança no chao mesmo. Se vissem de longe, parece uma briga. Vez eu o deixo vencer. Vez ele finge me deixar vencer, mas pronto para mais um golpe e me puxar para baixo. E para dentro. O golpe é fundo, e entre os lençois no chao, eu encontro o travesseiro e preciso me segurar em algo para nao gritar.
Nossa dança tem que ser silenciosa, entao ele tapa minha boca, e a palma de sua mao esta quente e suada. Sua pele desliza por inteiro na minha, ambos sob efeito um do outro e do calor que criamos. Eu o quero no intimo, dentro da derme. E ele sabe.
Sou leve em suas maos, entao ele brinca - Me puxa, me vira. Desafiamos a fisica e permacemos como um so, ocupando o mesmo espaço.
Minha boca esta seca, e ele sacia a minha sede.
Deito desprotegida ao seu lado, vejo o suor brilhando em sua barriga e seus olhos fechados de cansaço. Se ele esta pensando o mesmo que eu, acho que foi amor.