sexta-feira, 30 de junho de 2017
Carta da afogada
Eu não a quero aqui, sua inconveniente filha da puta! Não aguento suas calcinhas penduradas no box, ou a pasta de dente largada e destampada em cima da pia!
Me diz quando você vai parar de arranjar desculpas para dormir até mais tarde e não lavar suas roupas.
Ouça bem aqui, seu desaforo é enorme que nem ao menos almoça, e fica nesse belisca-belisca com essa maldita granola!
Vai tomar um banho, sua porca. É difícil concentrar em alguma coisa com você perambulando por aí com três dias de suor na pele.
É tanta displicência que você afirma não gostar de nada por conveniência do não tentar.
Bora, levanta dessa cama. Desse sofá. Dessa cadeira. Desse chão.
Vai lavar a cara e olhar o mundo pela janela, e realmente o faça! Pois esse peso eu não irei carregar mais, mocinha, ouviu bem?!
Fiz uma última coisa por ti e fui ao mercado sozinha.
Agora vá, vá!
Eu vou embora daqui para permanecer aqui